Maranhão: Cassado pelo povo
02/11/2010Até os mais ferrenhos adversários reconhecem: o governador José Maranhão é, indiscutivelmente, um dos políticos mais habilidosos que a política paraibana já viu. Afinal, não é à toa que ele conseguiu governar a Paraíba por três mandatos sem nunca ter vencido uma eleição pra valer mesmo.
Aos mais jovens, nunca é demais lembrar que Maranhão chegou ao Governo pela primeira vez em 1995, após a morte do saudoso governador Antônio Mariz. Três anos mais tarde, venceu a eleição quando ganhou a disputa interna no PMDB, ao derrotar Ronaldo Cunha Lima naquela contestadíssima convenção de 1998. Em 2006, perdeu para Cássio nas urnas, recorreu judicialmente e, em fevereiro de 2009, assumiu o Palácio da Redenção via “tapetão”. Portanto, habilidade não lhe falta.
Com todo respeito, talvez, o que falta mesmo a Maranhão é voto. Quem acompanha a política paraibana mais atentamente, pôde perceber o claro esforço que o atual governador fez para não enfrentar Ricardo Coutinho nas urnas.
Inicialmente, Maranhão ofereceu a Ricardo uma vaga de senador em sua chapa. Com a negativa do “Mago”, usou a “mídia oficial” para incentivar a candidatura de Cícero Lucena ao Governo do Estado, para assim dividir a oposição. Novamente sem lograr êxito, utilizou-se de pesquisas eleitorais questionáveis para tentar, 30 dias antes do primeiro turno, passar ao eleitorado a impressão de que a eleição já estava decidida. Afinal, teve instituto que chegou a dar uma diferença de até 32% pró-Maranhão.
Veio, então, o primeiro turno e as urnas mostraram mais uma vez que Maranhão tinha razão, quando tentou a todo custo partir para uma nova disputa sem concorrente à altura. Com a vitória de Ricardo no dia 3, o povo paraibano começava a dar uma dura resposta ao governador que voltou ao poder pelas mãos do judiciário brasileiro.
O pior, porém, ainda estava por vi. O dia 31 de outubro de 2010 ficará pra sempre marcado na vida de Maranhão. Foi o dia em que, certamente, ele sentiu uma dor infinitivamente maior que a que o ex-governador Cássio Cunha Lima sentiu em 18 de fevereiro de 2009, quando foi afastado, definitivamente, do comando do Governo do Estado pela decisão de sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral.
De agora em diante, outubro de 2010 sempre será lembrando como o período da história em que o povo da Paraíba absolveu Cássio e cassou Maranhão.
E com o importante detalhe: em vez de sete ministros, Maranhão foi cassado por 1.079.164 paraibanos.
Rápidas & Diretas
- Ou o governador Maranhão dar um freio em seus advogados ou pode ficar marcado na história política da Paraíba como o político que nunca soube reconhecer uma derrota.
- Marly Lúcio, na Comunicação, e Ricardo Sérvulo, no Jurídico. Dois profissionais que deram um show de competência e humildade na campanha vitoriosa de Ricardo. Comandaram suas equipes com maestria.
- Watteau Rodrigues (PC do B) e Antônio Barbosa (PT). Lutaram bravamente contra os “poderosos” de seus partidos e mostraram lealdade a Ricardo nas horas mais difíceis. Certamente, serão reconhecidos no momento certo.
- Já é uma unanimidade: o senador Cícero Lucena, mesmo sem ter disputado mandato, foi o maior derrotado das eleições 2010 na Paraíba. Corre sério rico de ter comprometido completamente seu futuro político.
- Onde quer que esteja, o amigo Grimaldi Dantas (in memorian), certamente, está vestido de camisa laranja e, de bandeira na mão, comemorando a vitória de Ricardo Coutinho.
- Culpar Lena Guimarães e Marcelo Weick pela derrota de Maranhão é canalhice pura. Se alguém errou foi o próprio governador, que não teve pulso no momento certo para controlar a guerra de egos de sua equipe.
- O professor Ronaldo Barbosa, presidente do PSB de João Pessoa, foi peça fundamental nos momentos mais conturbados da campanha de Ricardo na Capital. Conseguiu manter a militância “laranja” sempre de cabeça erguida.
- Com a vitória assegura de Ricardo, o prefeito Luciano Agra deve iniciar em breve uma reforma administrativa no governo municipal. É unânime entre os articulistas políticos a certeza de que alguns auxiliares do atual prefeito serão aproveitados na equipe do governador eleito.
- Merece destaque a atuação do deputado estadual eleito Tião Gomes (PSL), que no segundo turno aderiu a candidatura de Ricardo Coutinho. Em areia, principal reduto eleitoral do parlamentar, o “Mago” perdeu no primeiro turno com mais de 1 mil votos de diferença. Agora no segundo, o socialista colocou mais de 3 mil à frente de Maranhão.
- Na contramão, a adesão do prefeito Marcus Odilon (PMDB) a Ricardo no segundo turno não surtiu efeito. A vitória de Maranhão no primeiro no município de Santa Rita foi bem menor do que agora no segundo.
A pergunta que não quer calar...
E se Cássio decidir deixar o PSDB e se filiar a um partido da base da presidente Dilma Rousseff?
Pra refletir: Sonho Impossível
(Maria Bethânia)
Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão
Aos mais jovens, nunca é demais lembrar que Maranhão chegou ao Governo pela primeira vez em 1995, após a morte do saudoso governador Antônio Mariz. Três anos mais tarde, venceu a eleição quando ganhou a disputa interna no PMDB, ao derrotar Ronaldo Cunha Lima naquela contestadíssima convenção de 1998. Em 2006, perdeu para Cássio nas urnas, recorreu judicialmente e, em fevereiro de 2009, assumiu o Palácio da Redenção via “tapetão”. Portanto, habilidade não lhe falta.
Com todo respeito, talvez, o que falta mesmo a Maranhão é voto. Quem acompanha a política paraibana mais atentamente, pôde perceber o claro esforço que o atual governador fez para não enfrentar Ricardo Coutinho nas urnas.
Inicialmente, Maranhão ofereceu a Ricardo uma vaga de senador em sua chapa. Com a negativa do “Mago”, usou a “mídia oficial” para incentivar a candidatura de Cícero Lucena ao Governo do Estado, para assim dividir a oposição. Novamente sem lograr êxito, utilizou-se de pesquisas eleitorais questionáveis para tentar, 30 dias antes do primeiro turno, passar ao eleitorado a impressão de que a eleição já estava decidida. Afinal, teve instituto que chegou a dar uma diferença de até 32% pró-Maranhão.
Veio, então, o primeiro turno e as urnas mostraram mais uma vez que Maranhão tinha razão, quando tentou a todo custo partir para uma nova disputa sem concorrente à altura. Com a vitória de Ricardo no dia 3, o povo paraibano começava a dar uma dura resposta ao governador que voltou ao poder pelas mãos do judiciário brasileiro.
O pior, porém, ainda estava por vi. O dia 31 de outubro de 2010 ficará pra sempre marcado na vida de Maranhão. Foi o dia em que, certamente, ele sentiu uma dor infinitivamente maior que a que o ex-governador Cássio Cunha Lima sentiu em 18 de fevereiro de 2009, quando foi afastado, definitivamente, do comando do Governo do Estado pela decisão de sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral.
De agora em diante, outubro de 2010 sempre será lembrando como o período da história em que o povo da Paraíba absolveu Cássio e cassou Maranhão.
E com o importante detalhe: em vez de sete ministros, Maranhão foi cassado por 1.079.164 paraibanos.
Rápidas & Diretas
- Ou o governador Maranhão dar um freio em seus advogados ou pode ficar marcado na história política da Paraíba como o político que nunca soube reconhecer uma derrota.
- Marly Lúcio, na Comunicação, e Ricardo Sérvulo, no Jurídico. Dois profissionais que deram um show de competência e humildade na campanha vitoriosa de Ricardo. Comandaram suas equipes com maestria.
- Watteau Rodrigues (PC do B) e Antônio Barbosa (PT). Lutaram bravamente contra os “poderosos” de seus partidos e mostraram lealdade a Ricardo nas horas mais difíceis. Certamente, serão reconhecidos no momento certo.
- Já é uma unanimidade: o senador Cícero Lucena, mesmo sem ter disputado mandato, foi o maior derrotado das eleições 2010 na Paraíba. Corre sério rico de ter comprometido completamente seu futuro político.
- Onde quer que esteja, o amigo Grimaldi Dantas (in memorian), certamente, está vestido de camisa laranja e, de bandeira na mão, comemorando a vitória de Ricardo Coutinho.
- Culpar Lena Guimarães e Marcelo Weick pela derrota de Maranhão é canalhice pura. Se alguém errou foi o próprio governador, que não teve pulso no momento certo para controlar a guerra de egos de sua equipe.
- O professor Ronaldo Barbosa, presidente do PSB de João Pessoa, foi peça fundamental nos momentos mais conturbados da campanha de Ricardo na Capital. Conseguiu manter a militância “laranja” sempre de cabeça erguida.
- Com a vitória assegura de Ricardo, o prefeito Luciano Agra deve iniciar em breve uma reforma administrativa no governo municipal. É unânime entre os articulistas políticos a certeza de que alguns auxiliares do atual prefeito serão aproveitados na equipe do governador eleito.
- Merece destaque a atuação do deputado estadual eleito Tião Gomes (PSL), que no segundo turno aderiu a candidatura de Ricardo Coutinho. Em areia, principal reduto eleitoral do parlamentar, o “Mago” perdeu no primeiro turno com mais de 1 mil votos de diferença. Agora no segundo, o socialista colocou mais de 3 mil à frente de Maranhão.
- Na contramão, a adesão do prefeito Marcus Odilon (PMDB) a Ricardo no segundo turno não surtiu efeito. A vitória de Maranhão no primeiro no município de Santa Rita foi bem menor do que agora no segundo.
A pergunta que não quer calar...
E se Cássio decidir deixar o PSDB e se filiar a um partido da base da presidente Dilma Rousseff?
Pra refletir: Sonho Impossível
(Maria Bethânia)
Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

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