A eleição de Ricardo Coutinho (PSB) para governador, confirmada no segundo turno, põe em curso uma nova configuração do quadro político do Estado. No que pese estar atrelado a lideranças retrógadas, como Cássio Cunha Lima (PSDB) e Efraim Morais (DEM), Ricardo simboliza uma renovação que se impõe encerrando um ciclo em que José Maranhão (PMDB) e o Grupo Cunha Lima se revezaram na gangorra do poder por um bom tempo.
A expectativa agora gira em torno de como as forças políticas irão se acomodar nesta nova configuração de poder na Paraíba. E mais: quem será o grande líder das oposições no Estado?
Muito antes da eleição, já se especulava: numa eventual vitória de Ricardo, seria inevitável um rompimento deste com o seu atual aliado Cássio Cunha Lima que foi catapultado para fora do Palácio da Redenção por prática de conduta vedada e continua, até hoje, numa pendência na Justiça Eleitoral sob ameaça de ficar por mais alguns anos sem mandato. Há quem aposte que a briga começará já na formatação das equipes de primeiro, segundo e terceiro escalões do Governo: Cássio irá querer influenciar demais no Governo e exigir uma fatia avantajada do bolo; e Ricardo não estará disposto a ceder porque quer (e deve) imprimir sua marca pessoal de administrador, evitando macular sua gestão com práticas impróprias do tucanato e do DEM.
A questão é: que vantagens políticas amealhariam Ricardo e Cássio com um rompimento, pelo menos a curto prazo? Quanto de munição cada um tem do seu lado para desafiar o outro? Até que ponto essa briga não favoreceria apenas a oposição que, embora anêmica, passaria a ganhar sangue novo e a se encorpar? Ricardo Coutinho, de certa forma, é refém de Cássio Cunha Lima, neste momento. Ricardo vai começar a governar com minoria na Assembléia Legislativa, de modo que o apoio dos cassistas no Poder Legislativo será absolutamente indispensável à sua administração. Pelo menos no início do governo, na fase de arrumar a casa, e enquanto não se confirma a revoada de sempre dos deputados poucos habituados a estar fora das hostes oficiais.
O poder de fogo de Cássio Cunha Lima, porém, necessariamente passa pelo desdobramento de sua pendência na esfera judicial. No que pese ter mostrado nas urnas ser uma liderança de grande peso no Estado, não há como negar que Cássio com o mandato de senador é uma coisa e Cássio sem mandato é outra bem diferente.
Além disso, Cássio Cunha Lima de fato nunca se empenhou pela vitória de Ricardo Coutinho. Nem ele nem o senador Efraim Morais. Ricardo esteve praticamente sozinho durante quase toda a campanha eleitoral. Até a “adesivagem” de campanha nos carros mostravam isso: praticamente só apareciam Cássio e Efraim, nada de Ricardo.
Faz sentido supor que, pelo menos a princípio, nunca interessou a Cássio ter um Ricardo Coutinho no Governo. O sonho do tucano é recuperar a cadeira de governador, da qual foi banido pela Justiça Eleitoral. Com Ricardo no Governo este projeto de Cássio terá de ser adiado por um bom tempo.
Ricardo beneficiou-se, e muito, da situação incômoda de Cássio perante a Justiça Eleitoral. Toda essa confusão relativa à impugnação do pedido de registro de candidatura, terminou irritando o eleitorado de Cássio que, por gravidade, votou em massa em Ricardo. Somente depois que vislumbrou a possibilidade de ter o pedido de registro negado foi que Cássio assumiu um pouco o projeto de Ricardo Coutinho. Da mesma forma, Efraim só entrou na briga depois de derrotado no primeiro turno.
Mas, se porventura Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima entenderem que para ambos e para a Paraíba o melhor e continuarem unidos? Diria a minha avó, Dona Mocinha: “É ai onde a porca torce o rabo...”

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