Como um gladiador
Analistas políticos de todas as partes do mundo parecem querer avaliar qual o impacto das primeiras medidas do governo na popularidade do governador Ricardo Coutinho.
É paradoxal: se as medidas forem analisadas levando em consideração o funcionalismo público, devemos classificá-las como impopulares. Fora desse universo, a visão é outra.
Políticos e serviço público são, em geral, mal vistos pela opinião pública. Qualquer medida que vise “moralizá-los” é bem aceita para a camada da população que por ela não foi atingida.
É, em parte, nessa camada que o governador Ricardo Coutinho se acosta para exonerar servidores, cortar salários e impor dupla jornada de trabalho. Quem não está nesta lista vibra com esse tipo de medida.
E os que estão nesta lista como estão vendo Ricardo Coutinho? Como um monstro? Provavelmente, alguns.
Ricardo tem consciência de que queima algumas gorduras eleitorais ao “apertar” nos servidores públicos. Mas também tem consciência que teria que toma-las mesmo se fosse frouxo. Não é brincadeira A União ter 57 colunistas, o Palácio da Redenção mais de dez cozinheiras e uma escola de quatro salas mais de 62 prestadores de serviço.
Ao fazer isso agora, além de economia para equilibrar um pouco a máquina, o governador ganha um fôlego necessário para procurar recompensar lá na frente. Recompensadas, as “maldades” de hoje serão esquecidas no futuro.
Além disso, o governador também trabalha com a mesma filosofia dos gladiadores. Não importa o que fazes na arena, ganhe o público. Ou seja, somente os resultados da gestão é que poderão justificar e amenizar qualquer dureza das medidas de hoje.
Desde que ganhe o público, o governador Ricardo Coutinho seguirá usando a caneta como uma adaga de aço.

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