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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Agora vai!
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Não tenho aproximação com o prefeito Luciano Agra, embora o conheça de longas datas. Sei que é um sujeito reservado, avesso a badalações, talvez até discreto demais para quem já admite ser candidato. Quem sabe não é isso mesmo o que o pessoense quer de um “novo político”? Passei a admirá-lo mais a partir de pequenas atitudes. E de grandes também. Por exemplo, o Aeroclube. Há quantos anos essa discussão se arrasta, inclusive levantando-se na Justiça a possibilidade de demolição de vários prédios nos seus arredores? É mais fácil deslocar um sem-número de famílias de um bairro ou um clube para deleite de pouquíssimos ricos?
Meu colega Tião Lucena acha que a decisão da prefeitura de João Pessoa de quebrar o asfalto no silêncio da noite foi um tanto precipitada, embora ele também defenda sua desapropriação (coluna neste site). Pode até ser, Tião, mas às vezes, principalmente com os chamados “poderosos”, aqueles que se acham “donos das decisões”, inclusive jurídicas, é preciso tomar atitudes drásticas. O prefeito quis passar um recado do tipo “nem adianta espernear, porque eu só sossego quando construir o parque”. Chega de arrastar essa pendenga em banho-maria. Agora é pra valer, foi isso o que Agra quis dizer.
Claro que a briga ainda está longe de terminar. O presidente do Aeroclube, Rômulo Carvalho, já deu entrevista anunciando que vai acionar a prefeitura na justiça por danos morais e materiais. O juiz que concedeu a liminar, atendendo ação de desapropriação, explicou que não havia dado autorização para que a prefeitura destruísse partes da construção, mas apenas para que “se apropriasse do local”. Ora, se eu me aproprio de uma coisa, eu tenho o direito de usá-la para o fim a que me proponho, ou não?
Pode até ter havido precipitação por não haver prévia comunicação, por parte da prefeitura, de que as obras do parque iriam começar imediatamente. Mas é que Agra sabe com quem está lidando. Se fosse dado um aviso, a resistência poderia ser muito intensa. Todo tipo de artifício seria usado para impedir a entrada das máquinas da prefeitura. As obras iriam atrasar. Talvez até houvesse um confronto. Além do mais, o prefeito e 99% do povo preferem um parque a um aeroclube que serve a apenas uma dúzia de abastados e que pode, perfeitamente, ser deslocado para outra área.
Há coisas que só se resolvem com a combinação de dois elementos fundamentais: decisão política e pulso. Agra, sem qualquer espalhafato, mostrou que tem os dois.
Agora vai!

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