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quinta-feira, 10 de março de 2011

Central de boatos
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 A Paraíba está enveredando por um caminho perigoso, aquele de sujar a biografia do desafeto, como fizeram esta semana com o deputado Manoel Júnior. Um cidadão de identificação duvidosa telefonou a uma emissora de rádio e mandou ver: "Manoel Júnior pagou 40 mil para matar um vereador de Pedras de Fogo". Claro que o desmentido veio em seguida, mas por mais convincente que seja, jamais limpará completamente o nome do injuriado.
 O deputado promete discurso na Câmara, levou o assunto ao Ministério da Justiça, mas tudo isso serve apenas para deixá-lo menos mal perante a opinião pública. O ouvinte de rádio, entretanto, pouco lê e não vê a TV Câmara, de modo que continuará com a primeira versão, aquela do ouvinte de identificação duvidosa.
 A coisa anda feia por estas bandas. Os chamados homens públicos estão proibidos de dizer o que sentem ou de manifestar suas rivalidades. A central de boatos, montada não se sabe onde e nem por quem, está disposta a desmontar biografias, modificar passados, sujar passos futuros e lascar em banda aqueles mais atrevidos. O jeito é botar o rabo entre as pernas e agüentar calado, ali, o bicho entrando e o sujeito sem o direito a um gemido.
 Não quero afirmar que o deputado é inocente. Luiz Couto já insinuou que ele tem alguma coisa errada. Mas sem provas fica difícil garantir que Manoel Júnior é pior ou melhor do que os seus colegas da política. Pelo pouco que conheço dele, sou instado a dizer que o tenho como gente do bem, incapaz de matar uma barata. O homenzinho do pé da serra, contudo, não tem a obrigação de achar isso que eu acho. Ele foi bombardeado com a informação radiofônica, e daqui que mude de pensar vai dar um trabalho danado.

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