A safadeza vem de longe
Essa notícia divulgada durante o motim de quarta-feira, que soou como bomba na imprensa, dando conta do envolvimento de agentes com o tráfico de droga nos presídios, é café pequeno para as coisas que vi, investiguei e até fiz um livro, cuja publicação não saiu ainda porque Rubens Nóbrega me aconselhou a não fazê-lo. E aceitei a ponderação. Vi Adamar Lívio morrer com um tiro na nuca somente porque era um diretor durão. Outros tombaram sob os tiros traiçoeiros de apenados fugidos, a mando de mãos misteriosas. O livro está comigo, gravado em CD e impresso no papel. Mas vai ficar para a posteridade.
Voltando à denúncia: isso sempre houve e vai continuar existindo. Uma máfia poderosa toma conta dos presídios. O leitor, por acaso, já não desconfiou desses celulares, dessas armas e dessas trogas encontradas nas celas à cada pente fino? Ora, se houve o pente fino e tudo foi retirado, como explicar a entrada de novos objetos de matar e de cheirar na semana seguinte? Só pode ser pelo portão, com a conivência de quem teria a obrigação de impedir a entrada.
O sistema penitenciário da Paraíba está podre. Podre a partir da cabeça. Da parte burocrática.
Se agora novos dirigentes põem ordem na casa, peço encarecidamente que comecem a limpeza tirando as velhas múmias que permanecem ocupando postos chaves na Secretaria. É ali onde se localiza o tumor cheio de pus da safadeza.

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